Por João Victor Rodrigues
Aclamada pelo público em sua estreia, a peça Olhos sem Rosto retorna a Pelotas para mais uma temporada neste final de semana. Inspirada no clássico filme francês de 1960, a montagem dirigida por Thalles Echeverry e Eduarda Bento traz uma experiência imersiva e perturbadora, que leva o público a refletir sobre os limites da obsessão e da ética.
A trama gira em torno de Cristine Rosseau, uma jovem que se torna vítima dos experimentos macabros de seu pai, o cirurgião Ethan Rosseau, que busca a qualquer custo restaurar o rosto desfigurado da filha. O público é convidado a explorar os ambientes da casa do médico, interagindo com os personagens e sendo parte ativa da narrativa.
Olhos sem Rosto será apresentada nos dias 26 e 27 de outubro, às 20h, no Centro Cênico Cultural da VSQ (Rua Dom Pedro II, 458). A sessão de sábado está esgotada, mas ainda restam ingressos para domingo, que podem ser adquiridos neste link.
O NDC conversou com o diretor Thalles Echeverry sobre o desenvolvimento do projeto, o processo de preparação e os planos da companhia. Confira os principais trechos da entrevista:

NDC – Qual a principal mensagem que “Olhos sem Rosto” busca transmitir ao público?
Thalles Echeverry – A ideia para o espetáculo veio do filme francês Olhos sem Rosto, de 1960. Quando começamos os encontros em março, queríamos construir algo que flertasse com o horror, e esse filme nos ofereceu o que buscávamos: uma história de terror psicológico. A trama gira em torno de um pai que faz de tudo para reconstruir o rosto da filha desfigurada, chegando ao ponto de sequestrar outras jovens para roubar suas faces. Nosso intuito sempre foi brincar com o horror, mas também causar desconforto no público. A peça desafia as pessoas a refletirem sobre até que ponto a obsessão e a falta de escrúpulos podem nos levar.
NDC – Como foi o processo de preparação do elenco e da equipe técnica para este espetáculo?
T.E – Começamos o processo em março deste ano e, desde então, foi um trabalho contínuo e colaborativo. Eu estava à frente da direção e, durante o percurso, a Eduarda Bento se juntou a mim, o que trouxe uma nova visão para a encenação. A maquiagem, que tem um papel essencial na criação do terror visual da peça, foi feita pela talentosa Geo Sobrinho. Foram meses de ensaios e ajustes, sempre com o foco em construir uma experiência imersiva e visualmente impactante.
NDC – Como tem sido a recepção do público ao espetáculo?
T.E – Estreamos em setembro no Centro Cênico Cultural da VSQ, em Pelotas. As apresentações têm um formato diferenciado, com lugares limitados, e exploram o espaço de uma forma não convencional. O público não apenas assiste ao espetáculo, mas também caminha pelo cenário, como se estivesse dentro da casa do médico Ethan Rosseau. A resposta do público foi excelente. Eles compraram a ideia e se deixaram envolver por esse universo sombrio, interagindo com os personagens e mergulhando no horror da trama.
NDC – O que a companhia planeja após a temporada de Olhos sem Rosto?
T.E – Além desta temporada de Olhos sem Rosto, que terá novas apresentações em novembro, ainda este ano teremos a estreia de outras duas produções. Uma delas é a peça do curso de Linguagens Teatrais, que será um musical, e a outra é a montagem infantil com os alunos do curso de teatro para crianças. Estamos animados com esses novos projetos. Para o próximo ano, já temos planos de retomar o espetáculo Irmãs Abutre e também o infantil Kara cara a cara com o Zé, que já estreou recentemente aqui em Pelotas.











