Por Equipe NDC
O Ministério Público do Rio Grande do Sul, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou nesta sexta-feira (22) uma operação que desmantelou um esquema criminoso comandado por uma facção de dentro do Presídio Regional de Pelotas. A ação foi realizada em 13 cidades de três estados do Sul do Brasil e tinha como objetivo combater atividades ilícitas como o tráfico de drogas, a entrada de celulares no presídio, agiotagem e lavagem de dinheiro.
Na execução das operações, foram cumpridos 152 mandados de busca e apreensão e realizadas 18 prisões no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina e no Paraná, houve a execução de mandados de busca e prisão. Durante a operação, também foi feita a remoção de oito apenados e o bloqueio de contas bancárias vinculadas ao esquema. Os crimes investigados englobam organização criminosa, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e corrupção.
As investigações foram realizadas por meio de duas operações, denominadas Caixa-Forte II e El Patron, que tinham como foco a venda de drogas e a introdução de materiais ilícitos no presídio, além de um esquema de agiotagem com juros elevados. Mais de 100 pessoas estão sendo investigadas, incluindo 27 detentos e dez empresas envolvidas em práticas ilegais. Integrantes de outros Gaecos dos Ministérios Públicos de Santa Catarina e Paraná, além de diversas forças de segurança, cumpriram mais de 170 mandados judiciais, resultando em 19 prisões e na remoção de detentos.
O promotor de Justiça André Dal Molin, coordenador do GAECO, destacou que o principal objetivo da operação é desarticular financeiramente as organizações criminosas, combatendo suas atividades ilícitas e buscando recuperar os recursos obtidos de maneira ilegal. Os lucros obtidos com o tráfico de drogas eram usados para financiar a agiotagem e a lavagem de dinheiro, sustentando outras atividades criminosas.
A operação Caixa-Forte II deu continuidade a uma ação anterior, na qual foram apreendidos materiais ilícitos dentro do presídio. A análise dos documentos apreendidos revelou a estrutura hierárquica da facção, que incluía desde gerentes até responsáveis pelas finanças do grupo. Já a operação El Patron teve como foco a investigação da agiotagem e da lavagem de dinheiro, identificando que a organização utilizava um aplicativo para realizar empréstimos com juros exorbitantes, além de cobrar os devedores por métodos violentos, característicos de grupos criminosos. A facção também se envolvia com jogos de azar e rifas, como parte de suas atividades ilícitas.
O esquema movimentou mais de R$ 32 milhões, principalmente por meio de empréstimos, jogos de azar, rifas e lavagem de dinheiro. A Justiça autorizou a apreensão de 28 veículos e quatro imóveis em Pelotas, além da identificação de dez empresas relacionadas ao esquema, incluindo açougues, frigoríficos e imobiliárias no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Parte da lavagem de dinheiro ocorria através de depósitos em mais de 1.300 contas bancárias em nome de laranjas.









