Por Maria Clara Morais Sousa
No sábado do dia 25, o longa “Vó África” foi apresentado em um seminário na Associação Sindicato de Alimentação, na cidade de Pelotas. O evento trouxe elenco e produção de Porto Alegre para um almoço de confraternização. Após o seminário, o diretor Nando Ramoz e a produtora Gabriela Barenho levaram todos para conhecer a Casa Oca, locação onde as filmagens serão realizadas nos próximos meses. A obra ainda não tem data de estreia marcada.
A conferência contou com a presença da vice-prefeita Daniela Brizolara, a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade da UFPel, Claudia Daiane Molet, e Janaize Neves, coordenadora do Núcleo de Ações Afirmativas (NUGEN) da universidade. Além disso, houve uma apresentação do grupo Oju Obá, com cantos de religião de matriz africana.

Nando Ramoz explica que a história é fictícia: “dessa senhora que morou sempre num porão e não saía para a rua, por isso ninguém sabia o nome dela, ela era analfabeta e representa toda a história dos negros”. Ele também relata que ambientou a história na ditadura por uma questão de representação. “O pessoal pobre que sumiu, que morreu, ninguém sabe quem foi”, diz o diretor.
Adriana Rodrigues, a protagonista do longa, fala que sempre quis trabalhar com arte e foi para Porto Alegre trabalhar com sua professora na esperança de viver seu sonho na cidade grande. “A classe artista me chamava pra lavar roupa, passar roupa, mas nunca me chamava para trabalhar”, conta ela. A atriz dançou na abertura da novela “Selvagens Inocentes”, onde começou sua carreira, e por indicação seu nome chegou até Nando Ramoz. “Esse longa foi Ogum que botou no caminho”, diz emocionada.

Naiara Harry, atriz ganhadora do Palma de Ouro de “Melhor Atriz em um Filme Indie” no Festival de Cannes, afirma que está animada para atuar no longa-metragem, “trabalhar nesse projeto como antagonista está sendo muito diferente”.
O longa possui a coprodução do Antro de Criação, e foi contemplado pelo edital da Lei Paulo Gustavo, da Secretaria de Cultura do Estado do RS. Ele será filmado inteiramente em Pelotas, na Casa Oca. Tal escolha foi devido ao alto nível de preservação dos casarões do centro histórico e a potência da comunidade negra de Pelotas.









