Por Élida Lima
Há 24 anos, o então jovem político Fernando Marroni assumia o mais alto cargo eletivo de Pelotas. A primeira, e única, administração do PT, somente iniciou de fato após uma cena performática e conturbada.
Uma liminar concedida pelo Judiciário, anulou a eleição da mesa diretora da Câmara de Vereadores e, consequentemente, todos os atos posteriores: a posse do prefeito, vice e secretariado. Um rebuliço no âmbito político que marcou minha vida como jornalista.
Recordo da frase proferida pela nova estrela petista da região quando o caso foi resolvido e novamente empossado: “Pelotas não merecia isso!”, declarou um Fernando Marroni ainda sem muito traquejo com a imprensa e a vida pública.
A expressão apenas resumia o que eu, ingenuamente, pensava. Como, afinal, uma pessoa eleita pelo voto direto, em pleno século XXI, numa democracia, poderia ser impedida de assumir o cargo por causa de estratégias ardis do Legislativo que encontraram eco no Judiciário? Considere aí que a diplomação já havia ocorrido.
Pelo questionamento, desnecessário dizer que, tal como o prefeito eleito, também àquela época tinha muito a aprender e a vivenciar como profissional da comunicação.
Como agora, a posse ocorreu em 1° de janeiro e o efeito dominó do imbróglio da decisão judicial, nos dias seguintes, era apenas um capítulo da novela de uma vil disputa de poder e de vaidade entre os vereadores eleitos para dirigir a dita “casa do povo”. Período de férias, recessos e confraternizações, portanto não houve maiores manifestações para além do campo político.
Ou seja, em 2001, o tal episódio não teve engajamento. Nem poderia! Naquele tempo a designação engajar remetia à entrada de civis para as forças armadas.
Recordo de alguns acontecimentos daquele período. Alguns erros crassos que afetaram a popularidade do político e do seu governo. A demolição de um quiosque, no Laranjal, foi marcante e simbólica. Decisões que requisitavam diálogo e jogo de cintura foram tomadas no afã de uma boa administração. Certamente, o Fernando Marroni da atualidade não agiria sem antes trazer a opinião pública para seu lado. Também recordo de ações urgentes tomadas para melhoria de Pelotas: o investimento em tecnologia (informatização das secretarias), passou a deixar registrados os processos administrativos.
Como a ideia desse artigo não é criticar ou louvar, paro por aqui com as lembranças. Eis que a motivação para escrever tal texto recai sobre as ações do segundo mandato do PT na administração de Pelotas. Em 2001, vivíamos num mundo no qual os meios de comunicação tradicionais eram os únicos com o poder de informar de modo massivo.
Da mesma forma como a língua é viva e as palavras são ressignificadas, o modus operandi de governar uma cidade também foi afetado por uma sociedade cada vez mais midiatizada, na qual o cidadão tem acesso à uma avalanche de informações (não necessariamente averiguadas e de fonte segura) e eles próprios são produtores de conteúdo.
Após uma posse festiva, sem as turbulências de 2001, mantenho-me na expectativa, entre outras tantas questões urgentes, em relação aos fluxos comunicacionais a serem adotados nesse governo. Confiante de que o recém empossado secretário de Comunicação, Lúcio Barreto, com o qual os jornalistas tem tido fácil acesso, mudará o modo burocrático, moroso e “preventivo” como minha categoria (ao menos aqueles que detenham um diploma em comunicação social) tem obtido informações (públicas) e ter o aval de entrevistar os responsáveis pelas pastas – sem precisar enviar um e-mail com perguntas para assessoria de imprensa como recentemente tive que fazer.
Pois sim, essa “nova tendência”, como me foi explicada de modo soberbo há pouco, tem outro nome, em minha humilde opinião. Se um secretário/secretária, pessoa do primeiro escalão do governo – em teoria da confiança das lideranças do Executivo – não pode atender um jornalista, ainda que envolva tema controverso e impopular, então estamos num sistema que opto por não nomear. O tema está muito bem designado e explicitado nas teorias de comunicação.
Como uma das palavras mais proferidas nas manifestações dos políticos eleitos nas últimas semanas foi “diálogo”, mantenho a crença na tendência atemporal de liberdade de expressão e do respeito ao papel do jornalismo em sociedades democráticas.
Assim, desejo um próspero e profícuo governo a Fernando Marroni e Daniela Brizolara. Que disputas de poder e vaidade tão vis como a de 2001 passe ao largo das lideranças políticas pelotenses, seja no Legislativo, seja no Executivo.
Por menos opacidade! E um Feliz 2025 a todos!









